domingo, 17 de março de 2013

Dia de São Patrickão

"Sábado nublado
Peguei um metrozão
Pra encontrar as amigas
pro São Patrickão
Chegando lá, fiquei quietinha
Só tinha coxinha
E os coxinha tava irritado
Porque o lugar tava lotado"

E assim começou minha odisseia rumo ao meu primeiro Saint Patrick's Day devidamente comemorado: no Irish pub All Black. Depois de quase uma hora na fila, conseguimos entrar. E eu estava afoita para beber um pint de Guinness. Lá fui eu, a primeira a terminar o copo. Depois de um chopp de sabor forte, nada melhor do que refrescar, com umas batatas regadas a molho apimentado. Stella Artois para todas!
O efeito do álcool potencializou meu desejo de escrever uma mensagem para determinada pessoa. Nem sei se ele lê meu blog (se lê, céus, vai visualizar este post!). Lá fui eu, toda sincera, contar que só pensava nele e que tinha sonhado com o dito cujo. King Edward. Mas eu fui sincera, só precisava de uma coragem extra para superar minha timidez e meu excesso de bom senso.
Fiquei mais leve. Depois disso, uma amiga sugeriu um shot de tequila. Tequila! Eu, a mais sóbria, a pessoa com "zero" histórias sobre bebedeira e porre para contar. A sensata. Já que estava lá e não tinha nada a perder, OK! Um shot de tequila para cada uma. Aprendi: "Limão, sal, tequila e limão. Beba de uma vez!"
Só sei que alguns minutos depois, já estava flutuando. Tão fora de mim que tomei coragem de pedir um Bloody Mary. detalhe: Nunca tinha bebido Bloody Mary, mas sempre quis experimentar - só me faltava a coragem de pedir.
Algum tempo depois, eu já tinha a certeza: era meu primeiro porre e tinha pelo menos uma história do tipo para contar. Meus lábios estavam dormentes e minha vontade de falar besteira estava num nível mais alto do que o comum. E perto de pessoas que trabalham no mesmo lugar que você, não é um um bom sinal. Mas... dane-se!
Eu, que sempre gostei de dançar (música boa), aproveitei para levantar da cadeira e ensaiar alguns passos. Rock 'n Roll All Nite. Woo-hoo! Quem diria que os "abutres" aproximariam da mesa, momentos depois, para dizer "meu amigo falou que você dança bem." E eu: "Obrigada! - sinal de joinha".
Foi assim... bom! Divertido! Um anestésico chamado tequila e uma mistura de fermentado com destilado que eu simplesmente testei e aprovei... até precisar ir embora.
Sendo a moça que mora mais longe, peguei o primeiro taxi. Preferencial! Depois de dizer meu endereço, mandei a seguinte frase: "Ai, minhas amigas me levaram para o mau caminho..."
OK, o taxista aproveitou que eu estava meio grogue e fez um caminho mais longo. Percebi tardiamente. Mas cheguei em casa e ele me deu uns 20 reais de desconto. OK doc. Não foi tããão mal.
E assim foi o caminho todo: vim pensando num post para o blog. Uma postagem especial. Inédita. Sob o efeito alcoólico (sim, já postei bebadazinha antes, mas isto aqui é outro nível). Cheguei em casa. Liguei o PC. Sentei na cadeira. Digitei. Construí frases. Criei um texto. Reli. Corrigi. Postei. 
É a vida... Jornalista! Preciso registrar momentos marcantes. Histórias inusitadas. Expor-me. E com a minha sinceridade de (quase) sempre.

PS 1.: Minha sorte foi não ter a possibilidade de comprar uma passagem com destino a B. Senão, meu querido, já estaria com a viagem de minhas férias garantida.

PS 2.: Socorro!

segunda-feira, 11 de março de 2013

O último/ a última...

... filme visto: Frankenweenie
... filme visto no cinema: Django Livre
... episódio de série visto: The Walking Dead - S03E12
... música escutada: The Black Keys, Give Your Heart Away
... álbum escutado: Inteirinho? Colin James & The Little Big Band 3, de Colin James
... banda nova na lista de favoritas: Delta Spirit
... ataque de ansiedade: Lollapalooza chegando!
... ataque de gulodice: picolé de coco da Diletto. Yummy!
... overdose alimentar: pistache. Yummy²!
... comprinha de mulher: vestido lindo >.<

domingo, 3 de março de 2013

Desafio musical - parte 49

241) Uma música para patinar no gelo: Johann Strauss II, Le Beau Danube Bleu 
Nunca patinei no gelo, mas se eu fosse delicada, acho que esta música cairia bem.




242) Uma música que você ame por influência da sua família: Adoniran Barbosa, Trem das Onze

Acho que o Adoniran é o único sambista de que realmente gosto. Meu pai tinha um CD dele que eu adorava escutar, é tão divertido.




243) Uma música que tenha duas ou mais pessoas cantando ao mesmo tempo letras diferentes - Tom Jones & Cerys Matthews, Baby It's Cold Outside 

A música tem muitas versões, mas esta foi a primeira que ouvi. 




244) Uma música que tenha marcado algum ano da sua vida: Oasis, Wonderwall

1996. 





245) Uma música de uma banda que, na sua opinião, mudou muito: Radiohead, High and Dry
Desta fase eu ainda consigo escutar.



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Da série...

... Eu pegaria sim, e daí?
Christoph Waltz

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Mais notas cinematográficas

As aventuras de Pi: Drama e fantasia se misturam neste belo filme dirigido por Ang Lee, indo além do ponto de vista religioso - como alguns insistem em rotular. Longe de ser catequista, embora em determinados momentos pareça abusar do melodrama. Contudo, deve ser visto e analisado como um todo, já que cenas/sequências individuais apenas descontextualizam e enfraquecem a narrativa.

A viagem: Um filme grandioso, mas que carece de autocrítica e em determinados momentos traz um certo pedantismo filosófico - ou pseudo-filosófico mesmo. O trabalho de maquiagem, muitas vezes, torna os personagens grotescos, mas a escolha do elenco consegue aliviar esse ponto fraco.

A loja mágica de brinquedos: Um filme que não vai a lugar algum, desperdiçando apenas o talento e a empolgação do gênio Dustin Hoffman. Além de comprovar, quatro anos antes de Cisne Negro, que Natalie Portman não é uma protagonista muito eficiente.

ParaNorman: Um roteiro ambíguo que utiliza um garoto paranormal capaz de ver e interagir com fantasmas é o ponto de partida desta animação para discutir o bullying e os efeitos da violenta reação dos perturbados. Inteligente e voltado para o público pré e adolescente, perde por arrastar um pouco demais a trama.

Cães de Aluguel: Diálogos afiados sem Quentin Tarantino querer bancar o pretensioso - justamente o que se espera de um ótimo filme. O elenco fenomenal liderado por Harvey Keitel, Tim Roth e Steve Buscemi mostra que não é preciso muita "firula", apenas talento e criatividade para realizar um filme tenso e inesquecível.

Django Livre: Eis que no mesmo dia que assisti ao primeiro filme dirigido por Tarantino, decidi me aventurar por sua obra mais recente. É apenas um espetáculo de violência e referências, que busca humor no exagero, mas contém somente uma sequência que realmente merece risos - a da Ku Klux Klan. Considero o pior do currículo do diretor até o momento.

O lado bom da vida: Comédia romântica convencional, no melhor estilo good feeling. Apesar das boas atuações e de um ou outro momento memorável, é um filme longe de ser marcante. Ah, a trilha sonora é muito boa também.

Eulogy: Comédia engraçadinha que surpreende por Zooey Deschanel atuar melhor do que o costume. Mas o destaque fica mesmo por conta de Ray Romano (da série Everybody Loves Raymond) e seu ótimo timing cômico. Enfim, tão despretensioso que dá para passar o tempo.

O Pagamento Final: Filmão dirigido por Brian DePalma. Al Pacino arrasa, mas Sean Penn rouba as cenas em que aparece. O ótimo roteiro - destaco também a montagem - prende a atenção, enquanto DePalma constrói cenas e sequências com maestria, em especial a parte da estação de trem, remetendo claramente ao clássico Os Intocáveis.

Os Sete Suspeitos: Baseado no jogo de tabuleiro Detetive, é uma comédia oitentista fraca e sem-graça. A intenção dos produtores foi boa, mas é apenas um filme cansativo que dispersa a atenção.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ópio

"A religião é o ópio do povo", já dizia o filósofo alemão. Mas o meu é outro. Poderia dizer que sonhar acordada funciona como um ópio eficiente, porém é o que me desconecta do mundo que considero uma anestesia. Sonhar acordada é o efeito.
Assuntos para encarregar a cabeça de pensar enquanto fujo de outros temas. Literatura já foi meu ópio, mas atualmente ler é parte do ganha-pão diário. Os olhos cansados embaralhando as letras impressas enquanto sigo da casa-metrô e do metrô-casa. Aponto para outra distração para a fadiga - a música saindo do fone e adentrando minha mente vazia. Identifico-me com palavras e melodias. Repito-as mentalmente, até crescerem dentro de mim e adquirirem valor maior do que minhas expectativas.
Na frente da tela, busco histórias mais interessantes do que a minha. Ficções que amortecem meus receios. Maneiras de reinar em um lado obscuro da vida. Visões esclarecedoras de um mundo - não o meu, o deles. Uma realidade alternativa que me envolve em outro plano - não superior, pelo contrário.
Pessoas já foram meu ópio, com presença confortadora e resposta imediata. Já não são. O que busco é o conforto de estar sozinha, sem porquês, explicações, satisfações, histórias e justificativas. É um hábito com o qual simplesmente me acostumei. Porque estar só não exige esforço. Eu posso ser eu mesma. Minhas ideias fluem melhor. Basta um pouco de ópio para aguentar até o fim do dia.
É o sentimento egoísta se expressando em maior tom. A metrópole me engole lentamente e tudo que me preocupa é "o ópio da vez". Enquanto estão todos com suas vidas feitas, cá estou, absorvendo em doses diárias a droga que produzem. 
Consciente do poço no qual adentro, vejo uma luz acima, mas fujo e consumo meu ópio. Distraio-me por alguns instantes, posso até dizer que me alegro. Exalto. Escrevo. Compartilho um pouco do vício. Sonho. Imagino. Aceno para cima. Mas não subo.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Baby Keys

Dando prosseguimento ao Carnaval recheado de rock-indie-seja-lá-qual-for-o-rótulo, encontrei este vídeo do Black Keys old school. Gravado em um show em Austin, no Texas, no final de 2003. Ou seja: numa época em que eu jamais sonharia gostar de uma banda tão barulhenta e cheia de distorções - afinal, era apegada ao "britpop de menininha". Cheguei à conclusão de que foi com o Keys que abri um pouco mais minha cabeça para gostar de rock de garagem e blues. E pensar que começou com Tighten Up e descambou nesse rock de baixa fidelidade, onde a atitude e o estilo falam mais do que melodia e harmonia. 

Esta foi a raiz de tudo, daqueles Grammys em quatro categorias no domingo passado, do VMA tardio de "banda revelação" - quando já tinham 8 anos de carreira e seis álbuns lançados. Do porão de uma casa na decadente cidade de Akron, Ohio, para o Madison Square Garden. E para o Lollapalooza Brasil!

A humildade já era nítida neste show de 2004: longe de terem a pretensão de serem rock stars, mas talvez um pouco posers - ou seria "entusiasmados demais em fazer o que amam"?  E o espanto com a ascensão rápida - demorou, mas depois de serem notados só se fala deles. De olheiras de noites mal dormidas a declarações dignas de arrumar briga com fãs de Justin Bieber, tudo tem seu preço. E eu, como fã, admiradora, tiete e o que for, só espero ter  muitas outras oportunidades de colocar uma de suas músicas pela primeira vez e vibrar como se fosse uma banda que acabei de conhecer.

Atualizando: E divórcios. Acabei de saber que Dan Auerbach está se separando da esposa. Patrick Carney está no segundo casamento.

The Black Keys no auge dos 20 e poucos anos

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Desafio musical - parte 48

236) Uma música para dar uma volta no parque: Punch Brothers, Patchwork Girlfriend
Tem uma sonoridade alegre e divertida, além de ser fofa demais.




237) Uma música para o frio: The Black Keys, Just a Little Heat
A letra e a voz do Dan Auerbach são à prova de frio. Hot!

 

238) Uma música para ir para o trabalho: The B-52's, Love Shack
Tem que ser uma música alegre, senão já chego no trabalho deprimida.




239) Uma música para voltar do trabalho: Alabama Shakes, I Ain't The Same
Aconteceu comigo - tocou essa música no fone, na volta do trabalho, e me deu vontade de sair correndo.



240) Uma música para ouvir enquanto vai para uma festa: Queen, Don't Stop Me Now
"Tonight I'm gonna have myself a real good time."


domingo, 10 de fevereiro de 2013

Carnaval vs. Vampire Weekend

Adoro como o YouTube às vezes indica videos de bandas desconhecidas e legais para eu ver. Mas bem que poderia personalizar a sugestão também no Carnaval. Afinal, por que eu iria ver esses axezeiros ao vivo se posso rever a apresentação do Vampire Weekend no Saturday Night Live em 2010?


sábado, 9 de fevereiro de 2013

Simplesmente Johnny Smith

Em 2011, fiz um Top 6 de personagens assustadores de adaptações cinematográficas de romances de Stephen King (aqui!). Estou longe de ser uma expert do escritor ou de filmes baseados em suas obras, tanto é que somente hoje assisti a The Dead Zone (ou Na Hora da Zona Morta, como foi lançado o Brasil) do início ao fim. Além de ser dirigido por um dos meus cineastas favoritos - David Cronenberg -, tem um dos atores mais cool do cinema: Christopher Walken.
Daí que Walken é um anti-galã. Na verdade, de tanto interpretar psicóticos e vilões, ele chega a dar medo. Mas o personagem principal de The Dead Zone vai muito além desses estereótipos que o ator colecionou ao longo da carreira - e que o Saturday Night Live soube aproveitar tão bem nas participações dele no programa. Johnny Smith é... pra casar.

Pra começo de conversa, Johnny é professor de literatura e, logo na sua primeira cena, aparece declamando o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe. E mais: com um visual "Harry Potter". Eu nunca imaginei que algum dia na minha vida veria o Christopher Walken e me lembraria imediatamente do bruxo criado pela J.K. Rowling.
Harry Potter e a Montanha Russa Filosofal

Johnny namora outra professora da escola e planeja o futuro a dois, até que um acidente de automóvel o deixa em coma durante cinco anos. O que causa um certo desespero é vê-la insistindo para que ele fique em sua casa naquela noite chuvosa, mas ele responde que "há coisas que vale a pena esperar". OK doc...
E aí, beija bem?

Cinco anos se passaram e Johnny sente ainda como se fosse ontem. Seu amor por Sarah continua forte, mas ela seguiu em frente e já formou uma família. O olhar melancólico de Walken não é para o espectador sentir pena de seu personagem, e sim compartilhar aquele sentimento confuso. Tudo a sua volta está muito diferente. Porém, determinado diálogo chega a dar uma pontada no peito. E acontece no primeiro encontro do ex-casal após ele ter saído do coma.
Olhar 43

Sarah: Todos estão falando de você. É o assunto do momento.
Johnny: Porque eu bati com a cabeça e sobrevivi para contar o que aconteceu?
Sarah: Porque desenvolveu um sexto sentido. É verdade, Johnny? Os jornais não param de falar disso.
Johnny: Fico pensando no trecho do livro A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, a última lição que dei aos meus alunos antes do acidente. Ichabod Crane desaparece. A frase é "Como ele era solteiro e sem compromisso com ninguém, ninguém deu pela falta dele".
Sarah: É disso que tem medo?
Johnny: É isso que quero.

Longe de ser uma obra-prima, tão pouco um suspense superficial e/ou barato, The Dead Zone é um filme que tenta expor na tela - e na maior parte das vezes consegue - o pessimismo e o desespero em transformar o futuro quando se tem a resposta. E como as experiências pessoais e o caráter são importantes na tomada de decisão, ainda que o comportamento impulsivo influencie nos momentos confusos.
Premonição fatal