domingo, 22 de novembro de 2015

Cicatrização

Ela nutria uma grande paixão por aquele rapaz. Passeavam de mãos dadas pelo parque, dividiam a pipoca no cinema e se viam todo final de semana. Mas um dia, como um impiedoso psicopata, ele enfiou uma faca afiada em seu coração. Como se não bastasse, rasgou-lhe o peito e arrancou o músculo, enterrando-o no jardim.
Ela ficou meses atônita, como que sem vida. O mundo havia perdido as cores, os aromas, os sabores, os sons e as texturas de que tanto gostava: o tom alaranjado do pôr do sol, o cheiro do pão quentinho na padaria, o sabor irresistível do sorvete, o canto do pássaro no quintal, o toque macio do casaco de lã.
Um dia, outro jovem chegou ao jardim. Sentou-se no banco e ficou admirando as plantas e as flores primaveris. Ao notar a terra remexida, não evitou o impulso de analisa-la de perto. Desenterrou um coração quase despedaçado. Levou-o à torneira e limpou delicadamente. Percebeu o rasgo diagonal em seu centro e costurou com agulha e linha. Recuperou-lhe o vigor e procurou a quem pertencia.
Ficou semanas em busca do dono daquele coração maltratado. Um dia, na fila do supermercado, viu a moça à sua frente esquecer uma sacola de compras. Apressou-se para lhe devolver. Quando ela se virou, apática e pálida, descobriu que era a dona daquele coração. Estendeu-lhe a sacola de compras esquecida e lamentou mentalmente por não estar com o coração no momento.
A partir daquele dia, não saía de casa sem o coração da moça. Voltou tantas outras vezes ao mesmo supermercado, na esperança de reencontrá-la. Inesperadamente, a viu na rua, vindo na direção oposta. Sua respiração parou e não sabia como agir. Impulsivamente, chamou-lhe, dizendo que algo havia caído de seu bolso. Quando ela se virou para olhar, ele entregou o coração. Ela sorriu e o colocou de volta no peito. Agradeceu e seguiu seu caminho.
Nunca mais se viram, mas desde então a moça voltou a sentir o mundo do jeito que a fascinava.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Um clássico revisitado


Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950) é um dos meus filmes favoritos desde a primeira vez que vi - acho que foi em 2007. Já tinha assistido novamente uns 4 ou 5 anos atrás (tenho em DVD), mas queria muito conferir no cinema, já que é uma experiência cinematográfica completa - direção, roteiro, fotografia, atuações, direção de arte, figurinos...
Claro que o fato de ter meu ator favorito (o extraordinário William Holden) e uma das melhores personagens de todos os tempos (a diva Norma Desmond, interpretada pela magistral Gloria Swanson) o coloca na lista de prioridades. O roteiro soberbo de Billy Wilder (que também dirige), Charles Brackett e D.M. Marshman Jr. , ainda por cima, é um dos melhores da história do cinema (entra fácil num top 3). Justifico isso tudo porque, na mesma semana, o Clássicos Cinemark trouxe outro filme do meu coração, Um Sonho de Liberdade, mas deixei de revê-lo justamente por causa de Crepúsculo dos Deuses.
 
Mas, este post tem o intuito de ir além da minha adoração a essa película. E, aviso com antecedência, que o texto abaixo é repleto de SPOILERS. Portanto, se ainda não assistiu e pretende vê-lo, não leia os parágrafos abaixo.
 
Crepúsculo dos Deuses sempre me chamou atenção pelo cinismo, sarcasmo e ironia. É um pacote completo com estes substantivos abstratos. Porém, desta vez, o filme me soou mais melancólico. Confesso que me senti até mesmo perturbada. Todos os personagens são humanos. Não há vilões, mas pessoas que possuem grandes dilemas, alguns mais sérios do que outros. Há atitudes questionáveis, mas muito sentimento.
A começar por Joe Gillis, um roteirista em crise de criatividade e cheio de dívidas. Bonito e charmoso, é o cinismo em pessoa. Por acaso, ele conhece a diva Norma Desmon, uma ex-estrela de cinema. Joe deve meses de aluguel e seu carro será confiscado para cobrir suas dívidas. Ele já caiu na real que não lhe resta nada além de abandonar Hollywood e retornar à sua cidade natal, no interior de Ohio, e voltar a ser um João Ninguém em um subemprego monótono. Mas é o acaso que lhe inspira ambições.
Norma Desmond, o acaso, é uma milionária de 50 anos de idade, que foi a maior estrela do cinema mudo. Com o advento do som, ela, assim como dezenas de outros astros de sua época, foram engolidos pelo ostracismo. Mas Norma ainda tem fãs: recebe centenas de cartas por mês, todas de admiradores sedentos por seus autógrafos. Ela continua rica graças a investimentos que rendem milhões (petróleo, por exemplo). No entanto, por trás dessa mulher poderosa, esconde-se um ser humano solitário, dependente e depressivo.
Joe se aproveita das fraquezas de Norma. Ela é atraída pelo seu charme irresistível e admira seu talento (ele a ajuda a reescrever o roteiro de um grandioso filme bíblico que marcará o retorno da diva às telas). Apesar de ele se incomodar com a personalidade possessiva de Norma, acaba cedendo justamente por sua ambição - pretende conseguir o que quer e abandonar a mansão da milionária assim que puder.
Sendo um personagem tridimensional, Joe não é um mero aproveitador ou gigolô: ele sente culpa pelo que faz. Quando abandona Norma, fica sabendo que ela tentou cometer suicídio. Imediatamente, volta para vê-la, pois não quer que ela fique mal. Sente compaixão, não quer engana-la. Mas suas mentiras enrola ambos.
Norma, por sua vez, é manipuladora. Sua paixão por Joe é verdadeira, mas ela sofre de problemas psiquiátricos (parece ser bipolar) e sempre foi acostumada a conseguir o que quer. Sabe que Joe precisa de seu dinheiro, e não se importa em compra-lo - contanto que ele não a abandone e a ajude a curar sua solidão, ela faz o que for preciso para tê-lo  por perto.
Max Von Mayerling, o mordomo, foi o primeiro marido de Norma e ainda a ama após décadas. Ex-diretor de cinema (foi ele quem a revelou), humilhou-se a ponto de suplicar para servi-la a vida inteira. É ele quem cria o "mundo de fantasia" na qual Norma habita: as cartas de fãs são todas dele; ele esconde a verdade sobre a possível volta da ex-estrela às telas e insiste para que Joe não a abandone. Para ele, o bem-estar de Norma é o que importa: não quer vê-la sofrer nem se autodestruir.
O trio principal é o que suscita mais reflexão. O espectador tende a julgar cada um deles, cada atitude. Mas, acaba sendo impossível, pois quando você conhece a história pessoal dos personagens, acaba entendendo suas ações - sem concordar com elas, obviamente.
Por fim, há uma personagem coadjuvante que cativa por sua inteligência e personalidade forte: a jovem roteirista Betty Schaefer, namorada de Artie, melhor amigo de Joe. Betty convida Joe a escrever um roteiro derivado de um projeto rejeitado dele. Escondido de Norma, ele passa noites ao seu lado, trabalhando - o noivo dela é assistente de direção e está filmando em outro estado. A relação deles é estritamente profissional. Porém, chega um momento em que eles ficam mais próximos e, um dia, Betty confessa aos prantos que foi pedida em casamento, mas não ama o noivo: ela está apaixonada por Joe. E ele corresponde. De uma relação sem malícia alguma surge uma paixão complicada, pois nenhum deles quer ferir Artie. Por outro lado, Joe não se importa tanto com os sentimentos de Norma, afinal sente que está cumprindo sua obrigação de fazer-lhe companhia.
 
Resumi ao máximo aquilo que me criou um sentimento de melancolia na história. Paixões não correspondidas e paixões não planejadas. Uma mulher depressiva capaz não apenas de se destruir, mas destruir vidas alheias (ela assassinou Joe quando percebeu que não poderia tê-lo). Seres humanos perdidos que dão sua vida pelo dinheiro (Joe) ou por um amor não correspondido (Max). Não é Hollywood, não é a década de 1950: essa história poderia se passar em São Paulo, no ano de 2015.
 

sábado, 17 de outubro de 2015

Um dos filmes mais belos do mundo

Há uma semana, tive a oportunidade de rever no cinema um dos filmes mais belos que já assisti na vida: Paris, Texas. Dirigido por Wim Wenders em 1984, vi pela primeira vez em 2007. Acho cada fotograma precioso, tudo se encaixa de maneira perfeita: a história, o enredo, os diálogos, os personagens, as atuações, a direção de fotografia, os cenários, os figurinos, a trilha sonora.

É um filme sensível, mas longe apelar para a lágrima fácil. Cada detalhe revela algo sobre seus personagens e histórias: o boné surrado do Travis (o andarilho que inspirou a banda escocesa de mesmo nome); o jogo de cama de Star Wars do Hunter (o garotinho sensacional); a cor do carro de Jane (Natassja Kinski, naturalmente bela, cativante e talentosa)...

Aliás, um dos aspectos de que mais gosto no filme é seu jogo de cores, especialmente tons verdes e avermelhados, ora opacos ora brilhantes, como néon. São cores contrastantes, e seu uso vai além do aspecto estético e cria uma identidade a cada cena na qual são empregadas. Afinal, nada é em vão sob o olhar meticuloso de Wim Wenders, um diretor talentoso na construção de planos e cenas.

No final, Paris, Texas é um daqueles filmes que, conforme chega ao final, dá um nó no peito, mas afrouxa conforme os créditos finais sobem. A música de Ry Cooder une dedilhados áridos a melodias suaves, embalando cada desejo e esperança, fazendo com que sejamos todos como Travis: pessoas que erram, perdem-se e se encontram, conscientes de tudo o que fizeram e esforçadas para corrigir os erros não em benefício próprio, mas daqueles que amam.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Tirando o pó - ou "6 meses depois"

Saudades de escrever aqui. Eu sei que, teoricamente, acabou, mas queria tirar um pouco o pó. Surpreendentemente, os acessos ao blog continuam altos - talvez até maiores do que antes, visto que não atualizo há mais de 6 meses.
Às vezes, sinto falta de comentar minhas besteiras do dia a dia. Sei lá, outras redes sociais parecem que não dão conta. Aqui eu sentia mais liberdade de ser eu mesma - até sentir essa liberdade ser podada.
Meu outro espaço não é a mesma coisa. É muito mais restrito, meus temas são totalmente outros. Aqui eu era mais teenager. Então, sinto falta de reler os meus próprios registros despretensiosos - a que se acha rs.
Sim, apesar de ter estado deprimida em grande quantidade de posts publicados por aqui, eu ainda me divertia ao reler meus relatos - alguns deles.
Quem sabe eu volte aos poucos? Ou não. Pode ser um ensaio e eu desista a qualquer momento. Ah, bom demais não precisar me comprometer com nada e ninguém - textos regulares e leitores. Afinal, já tenho leitores em outros meios. Não. Brincadeira. Não seria pedante a ponto de desconsiderar os curiosos de boa índole que por aqui já passaram.
Bem, foram tantas séries e filmes para contar! Outras coisas não, acho que interessam mais a mim, né? Personagens reais e fictícios. Se eu escrever crônicas, ninguém vai saber mesmo até que ponto é verdadeiro ou imaginário, como muita coisa que já publiquei.
Posso desistir a qualquer momento. Mas pode ser até legal, enquanto durar.

domingo, 5 de abril de 2015

Fim do blog

Este blog será descontinuado. Em breve criarei outro espaço, em outro endereço e com outro nome. Peço aos interessados em continuar acompanhando que deixem algum contato no comentário - pode ser email ou o que preferir -, pois não vou publicar o comentário, apenas ler. Ou quem já tem contato comigo, é só pedir (não vou mandar correntes de email nem de mensagens no Facebook).

O presente blog não será deletado. Apenas deixará de ser atualizado.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Uma música para abril

Simon & Garfunkel - April Come She Will 
April come she will
When streams are ripe and swell with rain
May she will stay
Resting in my arms again

June she'll change her tune
In restless walks she'll prowl the night
July she will fly
And give no warning to her flight

August die she must
The autumn winds blow chilly and cold
September I'll remember
A love once new has now grown old


terça-feira, 31 de março de 2015

Mais uma etapa

Sinto-me como se tivesse finalizado mais uma etapa. Há anos planejava começar uma pós-graduação, porém não encontrava um curso que me agradasse, ou eram todos caros demais para o meu bolso. Quando consegui me estabilizar e calculei que seria possível conciliar com o trabalho e, o mais importante, pagar, fiz a matrícula.
O curso atrasou, demorou uns dois meses para começar, porque ainda estavam formando a turma. Foram praticamente dois anos de aulas - e férias e tempo de preparo para a monografia -, com seus bons momentos, decepções, estresse, aprendizado, sono. Dias de desgaste, dias de aproveitamento. Nada é perfeito, fato. Sinto como se tivesse aproveitado o que me foi oferecido, mas, como geralmente acontece em cursos que pagamos do nosso próprio bolso, esperava mais. 
No mais, fiz ótimas amizades no curso, tive professores sensacionais e consegui refletir melhor sobre minha carreira, meus descontentamentos e até sobre esse meu jeito idealista. Minha monografia não foi simplesmente uma obrigação para tirar o certificado: eu me empenhei de verdade, busquei força nos momentos menos propícios e aprendi muito com ela. Li autores excelentes, aprendi coisas que jamais aprenderia se não fizesse esse trabalho. 
Ser aprovada com uma boa nota demonstra que nada foi em vão - e que posso continuar com minha linha de pesquisa, se quiser. Ainda não decidi o que fazer, sinto como se fosse um pouco cedo para isso. Quero descansar um pouco a mente e me dedicar a outras atividades por um tempo, pois não penso em começar outra etapa tão logo.
Foi uma fase importante para mim, pois em alguns momentos me senti insatisfeita e pensei em desistir, mas fui insistente - se já tinha chegado até ali, deveria me esforçar para prosseguir. Acho que é um cansaço comum, ainda mais nos dias de hoje em que, com qualquer pessoa que converse, denoto o mesmo cansaço. Antes de considerar isso uma conquista profissional, devo pensar que foi uma conquista pessoal, pois foi uma escolha minha, eu decidi fazer uma pós naquele momento determinado e prossegui. 

Enquanto ainda não faço ideia da minha próxima etapa, quero aproveitar o final desta da qual me despeço.

sexta-feira, 27 de março de 2015

O "questionário do amor" (parcialmente) respondido

Estava lendo esta reportagem da Galileu sobre como a ciência e a tecnologia podem ajudar a encontrar o amor. Achei interessante, mas sabemos que o que funciona para uns, pode não funcionar para outros - tipo esses gadgets que "dão carinho", mandam mensagens românticas automaticamente etc. Cada pessoa tem um repertório, e o desespero para encontrar alguém e ser amado é mais destrutivo do que qualquer coisa.

Com todos os poréns sobre o texto e suas previsões (eu quase parei de ler quando citaram Ela rs), no final tem um questionário que dizem poder ajudar a fazer duas pessoas se apaixonarem: cada uma responde o seu e depois uma encara a outra por 4 minutos, sem desviar o foco da atenção. Achei um tanto engraçado, porque eu não consigo olhar direito as pessoas nos olhos, mas a parte das perguntas é interessante. Vamos ver se alguém fica 50% apaixonado por mim MESMO depois de ler minhas respostas sinceras - para não dizer expositivas.

O professor Arthur Aron elaborou um método para criar intimidade romântica. escolha alguém que combine com você, e Façam as perguntas um ao outro na sequência apresentada. lembre-se de responder com honestidade. 

1. Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você convidaria para jantar?
Tom Hiddleston - usando aqueles óculos hipster do Comic Relief.

2. Gostaria de ser famoso? Como? 
Sim, somente pelo meu trabalho, meus textos, meus (futuros) livros.

3. Antes de fazer uma ligação telefônica, você ensaia o que vai falar? Por quê? 
Sim. Porque gaguejo e me perco no meio das frases.

4. Como seria um dia perfeito, para você? 
O dia perfeito seria sem planos, mas aconteceria como se tivesse um roteiro: todas as coisas que gosto aconteceriam, sem eu esperar por elas.

5. Quando foi a última vez que cantou sozinho? E para alguém? 
Sozinha não lembro, provavelmente distraída fazendo alguma coisa em casa. Para alguém, que eu me lembre, foi em 2010, para um intercambista que conheci na Nova Zelândia.

6. Se pudesse viver até os 90 anos e ter o corpo ou a mente de alguém de 30 durante os últimos 60 anos de sua vida, qual das duas opções escolheria? 
O corpo, porque acho mais necessário uma mente amadurecida e evoluída, não quero pensar do mesmo jeito que penso agora com 90 anos. É mais uma questão de não querer ter sempre a mesma cabeça do que de vaidade.

7. Tem uma intuição secreta de como vai morrer? 
Sim. E é secreta.

8. Diga três coisas que acredita ter em comum com seu parceiro. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

9. O que faz você se sentir agradecido na sua vida? 
Pelos amigos e pessoas que demonstram o que sentem por mim por meio de suas ações (carinho, respeito, compreensão, admiração...).

10. Se pudesse mudar algo no modo como foi educado, o que seria?
Queria que tivessem exigido bem menos de mim.

11. Use quatro minutos para contar a seu companheiro a história de sua vida. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

12. Se amanhã você pudesse se levantar desfrutando de uma habilidade nova, qual seria? 
Poder voar.

13. Se uma bola de cristal pudesse contar a verdade sobre sua vida, o que você lhe perguntaria? 
Eu tenho algum propósito neste mundo?

14. Há algo que há muito tempo deseja fazer? Por que ainda não fez? 
Sim, não fiz porque não tenho dinheiro.

15. Qual é a sua maior conquista? 

16. O que mais valoriza em um amigo? 
A preocupação e a pró-atividade - aquela pessoa que pergunta de você e te chama para fazer alguma coisa, não fica só esperando isso vir do outro.

17. Qual é sua lembrança mais valiosa? 
Minha viagem sozinha à Nova Zelândia.

18. Qual é sua lembrança mais dolorosa? 
Pensar em todas as vezes que quis fazer mal para mim mesma.

19. Se você soubesse que vai morrer daqui a um ano de maneira repentina, mudaria algo em sua maneira de viver? Por quê? 
Não. Porque não adiantaria, se vou morrer de qualquer jeito.

20. O que significa a amizade para você?
Compreensão, apoio, respeito e jamais julgar o outro por qualquer coisa.

21. Que importância têm o amor e o afeto em sua vida? 
São importantes, embora não sejam necessários o tempo inteiro.

22. Compartilhem, de forma alternada, cinco características que consideram positivas em seu companheiro. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

23. Sua família é próxima e carinhosa? Você acha que sua infância foi mais feliz que a dos demais? 
Às vezes. Não acho que minha infância foi mais feliz que a dos demais.

24. Como se sente em relação a sua mãe? 
Ambiguidade.

25. Diga três frases usando o pronome “nós”. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

26. Complete esta frase: “Gostaria de ter alguém com quem compartilhar...”. 
...meus momentos de felicidade e meus receios.

27. Se fosse terminar sendo amigo íntimo de seu companheiro, divida com ele algo que seria importante que ele soubesse. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

28. Diga a seu companheiro do que mais gostou nele. Seja muito honesto, e diga coisas que não diria a alguém que acaba de conhecer. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

29. Divida com seu companheiro um momento embaraçoso de sua vida. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

30. Quando foi a última vez que chorou na frente de alguém? E sozinho? 
Na frente de alguém: Anteontem. Sozinha: Anteontem também.

31. Conte a seu companheiro algo de que já gosta nele. 
Opa, pulo essa porque só vale no experimento.

32. Há algo que seja tão sério a ponto de não ser adequado fazer piadas a respeito? 
Sim, fazer piadas sobre a aparência dos outros e sobre acontecimentos que possam representar dor para as pessoas.

33. Se fosse morrer esta noite, sem a possibilidade de falar com ninguém, o que você lamentaria não ter dito a uma pessoa?  Por que não disse até agora?
Nada, pois acho que se não disse antes, não me faria sentir melhor nem mudaria nada se dissesse agora.

34. Sua casa está pegando fogo, com todas as suas coisas dentro. Depois de salvar seus entes queridos e seus bichos de estimação, sobra tempo para fazer uma última incursão e salvar um único objeto. Qual você escolheria? Por quê? 
Meu notebook, porque é minha ferramenta de trabalho e social.

35. De todas as pessoas que formam sua família, qual morte seria mais dolorosa para você? Por quê? 
Que pergunta f*da. Não sei responder. Mesmo.

36. Divida um problema pessoal e peça a seu companheiro que diga como ele teria agido para solucioná-lo. Pergunte também como ele acha que você se sente em relação ao problema que contou.
Opa, pulo essa porque só vale no experimento (mesmo se valesse, não diria aqui).

segunda-feira, 23 de março de 2015

Influxo

Às vezes, não é preciso haver fatos: são os próprios pensamentos que puxam o corpo para baixo, como se fosse uma âncora que insiste em ser usada nos momentos inoportunos. Contra eles, não há remediação. Afinal, como é possível parar de pensar? 
É a nossa própria mente que nos prega peças. Imprevisível, ela faz surgir ideias nos momentos errados e, quando menos esperamos, lá está ela, mais forte do que os fatos. Uma mente criativa encontra obstáculos para controlar os pensamentos. Eles simplesmente fluem e criam histórias - ou recriam fatos - que buscam vida própria dentro da cabeça. 
É preciso separar lembranças de ideias, o que nem sempre é fácil. É preciso desligar-se de vez em quando, para fazer os pensamentos cessarem. Essa missão pode ser diária ou esporádica - e ela pode cansar mais do que os próprios pensamentos.
Não sei se é uma coisa de gênios, que precisam estar constantemente se reciclando, registrando, produzindo, criando. Uns pintam, outros compõem. Alguns filmam, outros escrevem. Eu já escrevi até cansar, pois, embora meus pensamentos me cansassem, era um tipo de cansaço que só terminava quando os colocava em ordem, embora essa ordem pudesse parecer ilógica à razão de algumas pessoas.
O mais difícil é que, muitas vezes, os pensamentos surgem na tentativa de mudar algo que já aconteceu. Geralmente, esses são os mais difíceis de lidar. Por isso, fazer terapia exige esforço. Você é a mesma pessoa em um ano de sessões, mas não exatamente. Você se questiona mais por suas próprias atitudes destrutivas ou autodestrutivas.

Há algumas semanas, relatei o episódio pelo qual passei, em um ônibus. Eu simplesmente deixei que a âncora dos pensamentos negativos puxasse meu corpo para baixo, ainda que estivesse em um local público, sem temer que as lágrimas chamassem a atenção de outros. Eu não chorei por mim, mas por uma situação na qual não estava diretamente envolvida, mas tomei a dor para mim. 
Mesmo com os conselhos de amigos, permaneci imersa naquela sensação negativa: negando esperanças e soluções; antecipando o pior, que não aconteceu. Ainda que eu apoie e dê conselhos que contradigam a maneira como ajo comigo mesma - sempre fui mais rígida comigo e com meus pensamentos -, não acho justo levar a aspereza com que muitas vezes me trato para fora de mim.

Enfim, este texto é mais um fluxo de pensamentos, que filtro para expulsar a energia que me puxa novamente para baixo. É a maneira que encontrei para me mostrar que, sim, preciso me aceitar como sou, mas nem sempre eu sou a melhor pessoa para mim mesma.

domingo, 22 de março de 2015

Eu tenho medo...

Cavalos
Acho cavalo um animal lindo, mas não gosto de chegar perto por inúmeros motivos: dá coice, morde, é temperamental, pode te derrubar montada nele... Sou a favor de deixá-los em paz, bem longe.

Passar por coisas ruins
OK, este é um medo bastante comum que todo mundo deve ter. Às vezes, meu medo é tão grande que não consigo agir, só pensar nas coisas que poderiam acontecer. Fico tentando me controlar para não repetir atitudes e escolhas, racionalizo mais ainda minhas decisões e fico a um fio de não aproveitar as coisas como gostaria.

Ouvir o álbum seguinte 
Sabe quando você gosta demais do álbum de uma banda ou artista, coloca direto no repeat e já sabe a ordem das músicas? Daí tem o álbum posterior. Eu costumo enrolar para ouvi-lo, tanto que tem vários na lista para conhecer (inclusive do Noel Gallagher), porque geralmente me decepciono. Há exceções, mas sei lá.

Perguntas pessoais de quem mal me conhece
Sendo tímida, introspectiva, discreta etc etc etc, não é de se espantar que eu não apenas tenha medo disso, como também deteste.

Virar uma rabugenta
Eu tenho minhas fases de rabugice, mas daí me tornar uma completa rabugenta não está nos meus planos para um futuro próximo, médio ou longínquo.