segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Chico, Eric e Lou

Um Chico Buarque iria bem naquele começo de noite de sábado. Mas quando o compositor dos olhos azuis, que embala muitos sonhos com sua poética insuperável, cantou Olhos nos olhos, chorei instintivamente. A emoção não aflora quando alguma canção me lembra outra pessoa. Ela vem à tona quando lembra eu mesma. E Olhos nos olhos é como um espelho que reflete meu subconsciente: é uma personagem dizendo para mim “eu canto sobre aquilo que, embora você não saiba, quer ser”.

Tears in heaven, de Eric Clapton, é outra canção que me faz chorar. A letra é tão tocante e, de certa forma, desesperadora, que até mesmo meu ceticismo desenfreado cria ilusões de um Paraíso onde podemos reencontrar pessoas queridas.

A terceira dessas canções, e talvez a última, é Perfect Day, do Lou Reed. Não me remete tanto à cena da overdose de Mark Renton em Trainspotting, mas ao inalcançável desejo de ter um dia perfeito. Na minha interpretação, os versos falam mais sobre a solidão do que o compartilhamento de bons momentos. Dias perfeitos não existem, e jamais existirão. São apenas projeções que nossas mentes fazem naqueles momentos de cegueira, onde a felicidade passageira se sobrepõe à razão.

 

Olhos nos olhos (Chico Buarque)

 

Quando você me deixou, meu bem

Me disse pra ser feliz e passar bem

Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci


Mas depois, como era de costume, obedeci



 

Quando você me quiser rever


Já vai me encontrar refeita, pode crer


Olhos nos olhos


Quero ver o que você faz


Ao sentir que sem você eu passo bem demais



 

E que venho até remoçando


Me pego cantando, sem mais, nem por quê


Tantas águas rolaram


Quantos homens me amaram


Bem mais e melhor que você




Quando talvez precisar de mim


Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim


Olhos nos olhos


Quero ver o que você diz


Quero ver como suporta me ver tão feliz

6 comentários:

Sunflower disse...

Comiga, é Nico - These Days

http://www.youtube.com/watch?v=J1N8GtDkYfQ

sniff, sniff

beijaaa

Sunflower disse...

alias, isso vai dar um dicionário musical

Alexandre disse...

O lado negro da lua. :)

Love and Only Love" (Neil Young) tem feito minha cabeça ultimamente.

Cristina disse...

Eu não tenho paciência pra escutar o Chico cantando (pronto, falei rs), mas o admiro como letrista. Tem muitas músicas que mexem comigo, mas depende muito do momento e situação.

Tania Capel disse...

nossa, minha lista é imensa... rs!
tenho músicas e períodos, como artista sou absolutamente instável, mas buscando com cuidado dentre elas as mais constantes (rs)... encontro uma do Chico tb (embora, como a cristina, devo confessar que não tenho muto "saco" pra ouvi-lo... rs)

Todo Sentimento (essa tb fala de mim, independente do momento...)

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.

Tania Capel disse...

ah! tem as internacionais (rs!):

Truly Madly Deeply (Savage Garden)
Make me Loose Control (Eric Carmen)
Against All Odds (Phil Coliins)

essa última marca um grande caso de amor, e as outras duas acho que é saudosismo anos 80... hahahuaa

beijos!
tenha um bom dia!