sexta-feira, 8 de julho de 2011

A autora pede licença

Eu só me dou conta de que publico besteirinhas demais no blog, no Twitter, no Tumblr e no Facebook quando algum parente ou "aquela tal pessoa" diz que lê ou dá algum feedback (retweet, resposta, comentário, "curtir"...). Mas a vida é tão séria (ou eu sou tão séria com a vida?) que acabo extravasando na web. Comecei anônima - simplesmente Garota no hall -, mas aos poucos fui me libertando e mostrando quem sou. E aí, já sabe: escreveu besteira, encare as consequências. Um texto mais melancólico e já começam a dizer que estou deprimida; uma opinião pessoal, sem mencionar nomes e situações, e posso ser taxada de arrogante, pedante e/ ou insatisfeita com a vida.
A entrada é livre, mas quem paga o preço com a neurose sou eu. Afinal, quem gosta de ser interpretado erroneamente ou ser levado a sério demais quando metade do que escreveu saiu dos cafundós da mente para deixar o relato mais poético? Nem tudo é a verdade absoluta - e eu jamais seria verdadeira o bastante, expondo minha vida num meio ao qual todos têm acesso.
Na web, sou mais fútil e elevo temas irrelevantes a interesses pessoais (meus musos que o digam!). Podem dizer que só escrevo sobre filmes, séries e música, mas é claro que minha vida não é movida a isso (ok, cinema é minha paixão - fato!). A seriedade da vida não costuma ser levada para este mundo: temas que me perturbam (veja ou leia o noticiário para compreender o que quero dizer) raramente são abordados e problemas pessoais envolvendo terceiros ficam no âmbito pessoal.
Desabafar sem escancarar. Contar sem aprofundar. Ser sincera sem ser imparcial. Ser a Garota no hall sem ser a Lucie - e, consequentemente, sem ser a Luciana. Uma farsa? Uma personagem? Uma blogueira em busca de licença poética para relatar causos sem a corrente da verdade presa aos pulsos? Ou apenas uma autora pretensiosa para jogar na cara que preza tanto a expressão dos sentimentos quanto a escolha do olhar pessoal e da defesa do interesse próprio para contar tudo como acha que foi?

3 comentários:

Alexandre disse...

Ter um blog e se expor é se sujeitar-se a interpretações errôneas de terceiros.

Depois de um tempo morando aí em SP eu descobri que quase minha família toda estava lendo o meu blog, até meu pai (que inclusive já estava acompanhando meu blog novo depois da inauguração sem eu comentar nada, rs) e um primo meu que mal eu vejo umas 3, 4 vezes no ano.

Mas não se intimide com isso, a gente demora a se dar conta, mas qual é o objetivo real de um blog? Não é expor idéias, sentimentos, e opiniões? Se fosse algo pra si mesmo temos os ditos diários, que no caso aqui da net é só deixar tudo privado.

Se vai agradar ou não fulano, ciclano e beltranho, é consequência. Aliás é coisa natural do ser jornalista e/ou escritor, seja numa exposição mais objetiva ou pessoal.

O legal é isso, se tá dando "tilt" na interpretação, você vem aqui e expõe seu ponto de vista e coloca os pingos nos "is".

p.s.: em tempo, eu sou favorável a um progressivo "mais Luciana e menos Garota no Hall" por aqui.

:)

Garota no hall disse...

Obrigada, Alê!
Então, esse post não foi nenhuma direta, indireta, desabafo etc. Eu só quis deixar claro que não é para levarem tudo o que eu escrevo a sério, pois eu sei que tenho amigos com quem posso contar e aí desabafar de verdade. É aquele negócio: eu sou sincera, mas isso não quer dizer que eu conte tudo como foi, né? Sou imparcial na minha profissão, mas nos meus textos pessoais sou tão parcial quanto qualquer um.

Nathália disse...

As vezes me identifico tanto com o que você escreve que fico sem ter o que comentar.